A Oficina Saúde e Trabalho do grupo Geração POA, coordenada pela Área Técnica de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, lançou na última quinta-feira, na Contraponto,  o projeto Memória/Etnias, que retrata a herança histórica e cultural, os costumes e valores dos povos que formaram Porto Alegre. A Agenda 2012 apresenta a influência da cultura indígena na formação da população porto-alegrense, mostra como o cotidiano indígena em atividades como a colheita do cipó, oficinas de cerâmica caingangue e exposições de artesanato Mbyá Guarani – arte que se caracteriza pela riqueza de simbologia das crenças dos indígenas e de sua relação com a natureza.

De terça-feira (8/11) a quinta-feira (10/11) a Secretaria da Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa (SESAMPE) promoveu o primeiro Grandes Encontros da Economia Solidária, na Assembleia Legislativa. Reuniram-se, no primeiro dia,  representantes de 310 empreendimentos que avaliaram os rumos das ações e as estratégias de organização daqui pra frente, nos setores de agricultura familiar, artesanato, alimentação, confecção, construção civil, metalurgia, habitação, reciclagem e serviços.

Ainda na terça-feira, foi assinado um termo de cooperação entre o governo do Estado e o governo uruguaio, com o objetivo de promover ações conjuntas para a construção da Cadeia Solidária Binacional do PET, que visa a transformar as garrafas, até então lixo, em flake, fibra e tecido para a confecção de sacolas, almofadas e outros produtos com soluções favoráveis ao meio ambiente.

Na quarta-feira o painel Mulheres Transformando a América Latina discutiu o protagonismo feminino nas atividades predominantes na Economia Solidária, tendo em vista a multiplicidade de atuação, geração de renda, trabalho doméstico, cuidados com a família e o hoje para o futuro dessas mulheres. A primeira-dama Sandra Genro abriu o dia, lançando a mostra do Coletivo Fotográfico Nondogma, que retrata o dia-a-dia das mulheres que trabalham com a economia solidária no Estado.

O encerramento na quinta-feira propunha discussões de Estratégia de Desenvolvimento. A mesa contava com a presença do secretário da SESAMPE, Maurício Dziedricki, que afirmou o interesse da incipiente Secretaria em promover e difundir os projetos associativos, a autogestão, o desenvolvimento sustentável, a geração e distribuição de renda. Como forma de instigar os participantes do seminário, foram apresentadas várias experiências solidárias bem sucedidas, tais como a Justa Trama, que hoje envolve 700 trabalhadores em todo o Brasil, e grupo espanhol Mondragon, que reúne mais de 130 cooperativas.

O NEA ressalta a importância desse tipo de atividade para que a Economia Solidária ganhe visibilidade e se fortaleça no estado. Acreditamos que a SESAMPE tenha um papel chave nessa construção ainda a ser melhor explorado. Dentre os problemas comuns destacados pelos empreendimentos participantes estão as dificuldades com orçamento, estrutura, a dificuldade de se relacionar com o mercado e a necessidade de espaços de comercialização. Cabe ao Estado fomentar o desenvolvimento: criando uma tributação específica para cooperativas, que atualmente pagam seus impostos como empresas comuns; interiorizando a representação da SESAMPE, de modo que todas as regiões do RS sejam contempladas; promover concursos que selecionem profissionais capacitados para atender as demandas da Economia Solidária.

Dia 8 de Novembro:

Do passado, no presente, projetando o futuroEncontro dos empreendimentos da Economia solidária do RS, para avaliar os rumos de nossas ações e aprofundar as estratégias de organização que fortaleçam os empreendimentos na perspectiva da outra economia.

Quem: Empreendimentos de Ecosol do  RS

 

Dia 9 de Novembro:

Economia solidária: Mulheres transformando a América Latina, para analisar, discutir, aprofundar e avaliar as ações  desenvolvidas pelas mulheres da economia solidária, que são empreendedoras, cuidam do local, projetam suas ações, estão no coletivo e constroem apartir dos laços amplos essa economia que transforma a América Latina.

Quem: Mulheres da economia solidária da América Latina

 

Dia 10 de Novembro:

Economia solidária: Estratégia de Desenvolvimento, apresentar para toda a sociedade a diversidade das experiências de desenvolvimento promovidas pela Economia solidária, desde Mondragon, America Latina, Brasil e RS. Provocar a sociedade  para que incorpore essa nova estratégia de distribuição de renda, assim como provoque para a mudança de paradigmas e de posturas perante a produção e o consumo.

Quem: Sociedade em geral


O NEA integra o Comitê Estadual da Campanha Permanente contra o uso de Agrotóxicos e pela Vida. Depois dos Estados de Santa Catarina, Rio de Janeiro e Sergipe, chegou a vez do Rio Grande do Sul lançar essa bandeira. Será na próxima segunda-feira, dia 24 de outubro, às 18h30min no auditório da Emater/RS, e será aberto ao público.

O evento se iniciará com a exibição do documentário “O agrotóxico está na mesa”, de Silvio Tendler. Na sequência, haverá a palestra da Prof. Dra. Magda Zanoni, bióloga e socióloga, que organizou, junto do francês Gilles Ferment, o livro Transgênicos para Quem? Agricultura, Ciência, Sociedade (MDA, Coleção NEAD Debate) lançado em 2011. Ao seu lado, irão compor a mesa, representantes da Via Campesina e da Emater/RS.

Como objetivos estão: denunciar a falta de fiscalização no uso, consumo e venda de agrotóxicos, bem como os impactos ambientais e na saúde dos trabalhadores e consumidores. Ainda, pretende-se focar na comprovação da viabilidade de um outro modelo agrícola, com alimentos saudáveis baseados em princípios agroecológicos, em pequenas propriedades. Modelo este que, além de gerar oportunidades no campo, desconcentra a riqueza e melhora a qualidade de vida também das pessoas na cidade.

Esta entrevista foi realizada pela revista IHU Ideias, da Unisinos.

Você reflete antes de comprar ou consumir algo, no sentido da sua responsabilidade como consumidor, pensando em como aquele produto foi fabricado? Pois a ideia de consumo responsável, segundo a pesquisadora Julia Coelho de Souza, “traz a proposta de que o consumidor é responsável pelas desejadas mudanças e melhorias sociais e ambientais rumo a um planeta mais verde e a uma sociedade mais justa, isentando absolutamente todo o sistema institucional e político mais amplo (seja nos sistemas agroalimentares, no consumo de bens duráveis, de cultura, de informação, de viagens)”.

Julia destaca que “a construção e a distorção das imagens relacionando os aspectos saudável, ecológico, puro e sustentável a partir de uma matriz produtiva que se sustenta na pobreza, na desigualdade, na devastação da biodiversidade e da transgenia, realizada através das articulações de detentores de commodities, de sementes e do grande monopólio alimentar, é algo assustador”.

Julia Coelho de Souza possui formação acadêmica multidisciplinar, abrangendo estudos sobre mediações político-culturais no meio rural. Dedica-se a projetos em gestão de empreendimentos associativos, cadeias agroalimentares, planejamento e organização territorial a partir de sistemas produtivos e redes socioeconômicas. Integra o Núcleo de Economia Alternativa e Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, vinculado à Faculdade de Ciências Econômicas na qualidade de pesquisadora associada.

IHU On-Line – Que diferenças podemos estabelecer entre o consumo responsável e a responsabilidade no consumo?

Julia Coelho de Souza – O consumo responsável é entendido como “a forma comum” do papel político do consumidor. A forma como tem se visto o apelo midático a uma atitude responsável por parte dos consumidores é muito mais um apelo ao consumo de classe média de “produtos verdes”, com foco no aspecto ecológico, justo, sustentável. É uma tendência de consumo, a moda do responsável, do papel cidadão. A responsabilidade no consumo residiria num segundo olhar sobre essa responsabilidade e esse consumo, uma “segunda pele” ou mesmo níveis mais profundos de reflexão sobre esse papel do consumidor, responsável pela “cura” do planeta e pela justiça social através do ato de compra de produtos, bens, dos mais variados tipos. Na verdade, uma das questões-chave é: “em que tipo de produção esse consumo se insere”?

A questão da responsabilidade no consumo significa a compreensão do sistema onde se insere o consumo e o produto consumido. Seria a capacidade crítica e reflexiva de contextualizar a produção e o consumo numa perspectiva de projetos e modelos de desenvolvimento que estão em questão: seja quando se opta, no ato de compra, por um ou por outro produto, ou mesmo no quanto essa opção de consumo efetivamente modifica todo um sistema de produção, ou ainda o quanto o ato do consumo, mesmo deste consumo crítico, é reflexo de quais políticas de desenvolvimento.

Os questionamentos possíveis e pertinentes são muitos, pois me parece falaciosa a ideia de que no consumo da classe média e alta existe um problema grave de (des) equilíbrio ambiental. Existem, sim, problemas sociais de desigualdade, exploração e diversas outras questões outrora abafadas que estão vindo à tona na sociedade de maneira geral hoje em dia (dentro de um longo contexto de lutas ambientais, de classe, etc.). E essa atitude de consumo “qualificado” talvez seja o impulso essencial para mudanças nesse equilíbrio, na natureza do planeta terra, na sociedade ou no que quer que seja que se deseje quando se compra um determinado produto nas prateleiras dos supermercados, ou nas feiras, nos restaurantes, nos sítios de compras, para além do próprio produto, como um objeto de consumo.

A ideia que está sendo construída, via de regra, traz a proposta de que o consumidor é responsável pelas desejadas mudanças e melhorias sociais e ambientais rumo a um planeta mais verde e a uma sociedade mais justa, isentando absolutamente todo o sistema institucional e político mais amplo (seja nos sistemas agroalimentares, no consumo de bens duráveis, de cultura, de informação, de viagens).

IHU On-Line – Que ações práticas caracterizam um consumidor responsável?

Julia Coelho de Souza – Sem estabelecer aqui “tipos” de consumidor (“o responsável” e “o que tem responsabilidade”), me parece que a prática da responsabilidade no consumo é, antes, uma atitude crítica e reflexiva para, a partir daí, pensar na materialidade do consumo ou de práticas que levem a um “consumo responsável”, crítico. Claro que, no âmbito das cadeias agroalimentares, atitudes como a escolha de mercados em que se consome, escolha de marcas, busca das informações de origem, procedência tidas pelos consumidores são atitudes importantes que, de certa forma, caracterizam um consumidor responsável. Parte dessa responsabilidade está na seleção que se faz no consumo, e isso em um espectro bem amplo de consumo, inclusive de informações, de cultura, de produtos e subprodutos das mais distintas indústrias.

Imagino que o que se consome em termos de conteúdo de imagem (de propagandas e campanhas, da história contada, de versões) se reflete em opções de consumo de grande parte da sociedade. Isso quer dizer, também, que tem uma grande e convincente “máscara” entre produtos, processos e mercados. Um exemplo bem elucidativo, nesse sentido, é o consumo de sucos e leites refrescantes e saudáveis, com “selos verdes” (pelo menos na embalagem, enquanto um elemento no layout do produto) em forma de folha, onde está escrito algo como “leve, saudável e natural”, quando são feitos a partir de um subproduto de soja transgênica. Existe aí uma contradição, uma confusão que é um divisor de águas para se definir as escolhas de consumo como responsáveis, críticas, reflexivas e claras quanto ao que se refere efetivamente a essa “escolha” individual (e porventura coletiva também) de consumo.

A construção e a distorção das imagens relacionando os aspectos saudável, ecológico, puro e sustentável a partir de uma matriz produtiva que se sustenta na pobreza, na desigualdade, na devastação da biodiversidade e da transgenia, realizada através das articulações de detentores de commodities, de sementes e do grande monopólio alimentar, é algo assustador. O problema é que, como são essas empresas que “organizam” a alimentação de grande parte dos países (diga-se, com base em poucas espécies animais e vegetais, desnutridas de conteúdo nutricional e cultural), existe um conflito de interesses e, como falamos antes, de projetos de sociedade.

IHU On-Line – Quais as principais reflexões que você trará para o debate sobre cadeias agroalimentares, slow food e mercados alternativos?

Julia Coelho de Souza – A reflexão é sobre os processos (políticos, econômicos, culturais) envolvidos no processo de produção, comercialização e consumo, com o foco nas cadeias agroalimentares. Para entender de forma mais clara a delimitação conceitual dessas cadeias, me apoio na reflexão de Terry Marsden, geógrafo holandês, sobre os sistemas agroalimentares e as cadeias curtas e longas. A cadeia envolve todo o caminho e relações: a produção, os processos e beneficiamentos, a distribuição e suas redes, atores sociais individuais e coletivos. Nisso se insere a discussão dos mercados alternativos e, de certa forma, as cadeias que fomentam algumas das redes e grupos participantes das ações do movimento slow food. Aqui vale uma separação também, não para dividir, mas para explorar melhor cada um dos temas.

Como “mercado alternativo”, podemos entender diversas formas de mercado, de redes de compras por internet, passando pelo comércio informal nas cidades, até as feiras de trocas e boutiques especializadas de produtos com determinado atributo. Um “mercado alternativo” não existe sozinho; ele é alternativo em relação a algo. Então é preciso delimitar, ou pelo menos entender, com qual campo de forças se está lidando, quais são as disputas que estão envolvidas, a partir do alternativo em relação à estrutura ou as dinâmicas sociais atuais, colocadas à coletividade da sociedade como situação, como verdadeiras.

Aqui estamos pensando nas dinâmicas dos mercados que envolvem alimentação, buscando observar alguns desdobramentos das dinâmicas de produção, distribuição e consumo de alimentos e entendendo alimentação como um produto de consumo e como um bem simbólico. Tudo isso na intenção de identificar alguns dos tantos processos políticos diretamente envolvidos nas dinâmicas de distribuição de alimentos, talvez fator primeiro na relação com o consumo e a produção.

IHU On-Line – O que faz parte do conceito de slow food hoje?

Julia Coelho de Souza – Meu envolvimento com o slow food aconteceu durante os anos de 2008 e 2009 e, desde então, não tenho me envolvido tanto com os grupos slow food a ponto de poder situar o debate atual conceitual no âmbito dessa organização. O que posso é buscar alguns fios de relação entre os debates que estão sendo colocados e algumas linhas de ação puxadas por essa organização, essa rede formada por sujeitos sociais individuais e coletivos. A ideia de alimentos como fortaleza e comunidades do alimento me parecem riquíssimas para relacionar o tema da biodiversidade (agrobiodiversidade, sociobiodiversidade) e dos processos culturais envolvidos na produção, comercialização e consumo de alimentos, com a grande campanha, ou mesmo essa busca contemporânea, por um papel político do consumidor e dos atores sociais envolvidos. Aí se unem de maneira interessante o consumidor final e, seguindo a cadeia, os distribuidores de produtos agroalimentares (que podem ser o supermercado, loja especializada ou mesmo o restaurante gerenciado por chefes de cozinha), envolvendo os diferentes elos destas amarras, com o produtor, seu meio produtivo (ambiental, cultural).

A iniciativa desta organização de identificar alimentos como fortalezas traz consigo uma ideia e ação de salvaguarda em relação a determinados alimentos, o que é muito importante e interessante. Esta pauta se organiza através de estímulo a projetos concretos de desenvolvimento e fomento à produção (seja agrícola ou mesmo extrativista) em relação à territorialidade (contexto socioeconômico, espacial e cultural) onde se insere esse produto. É uma importante “lembrança” que muitos processos produtivos estão diretamente relacionados com comunidades, com culturas, com saberes locais. Buscar a salvaguarda de saberes e sociabilidades através de um bem de consumo é um gancho interessante para o debate do consumo e do fomento de cadeias produtivas inseridas em modelos e paradigmas de desenvolvimento social e econômico.

O que é importante colocar nesse momento é que existem referências para o slow food em Porto Alegree no Rio Grande do Sul. A indicação que tenho é o e-mail de um grupo local de articulação da organização slow food com a pesquisa acadêmica e os saberes locais em cima do que se conceitua como “produtos da terra”. O contato com esse grupo é produtosdaterra@slowfoodbrasil.com

IHU On-Line – Qual o papel da economia solidária neste contexto de consumo responsável?

Julia Coelho de Souza – A economia solidária é outro conceito que tem que ser trabalhado com a atenção de atribuir sentido a esse tema, situando-se, primeiramente, o que se entende como economia solidária, ou em termos práticos, como tenho buscado trabalhar com esse tema no âmbito do coletivo em que me insiro hoje. Como política pública, efetivamente não se está avançando muito no sentido da aposta no debate político entre economia solidária e consumo. O tema da economia solidária (assim como o slow food), como um “movimento”, não é facilmente aceito e digerido de maneira consensual, clara, o que para além de ser simplesmente uma posição teórica, reflete-se em diversas instâncias políticas, de legitimação, de articulação e de fomento.

Na UFRGS estamos experimentando o fomento a circuitos de informação, estímulo para a formação de redes que se direcionem à formação de atores sociais coletivos. Esse sentido de coletividade, inserido na ideia de solidariedade (que está tão gasto), de economia solidária (que está tão turbulento), parece ser uma ideia-força fundamental para pensar os temas que se relacionam com o consumo. Porque, por mais individual(ista) que o consumo possa ser, ele é um ato repleto de coletividades e está permeado por emaranhados sociopolíticos. Além do consumo responsável não ser sozinho, ele não é isento.

O 12º Salão de Extensão fará parte do Salão UFRGS 2011, de 03 a 07 de outubro. A integração de eventos acadêmicos dará ensejo para a reflexão acerca da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, assim como os decorrentes desafios, aprendizagens e benefícios que advêm da interlocução das diferentes áreas.

O tema geral do Salão UFRGS Formação, Conhecimento, Inovação proporcionará a discussão do papel da extensão nestes campos.

A extensão universitária como segmento que propõe e concretiza a relação entre prática e teoria, neste Salão debaterá a importância do fazer extensionista para a formação dos estudantes, bem como para a produção do conhecimento no meio acadêmico e na comunidade.

A Contraponto, enquanto projeto de extensão, participa com a Mostra Interativa, realizando uma feira de exposição dos produtos da Economia Solidária, no próprio espaço da loja.

Elaboramos, ainda, para ser exibido no evento, este vídeo, que trata do surgimento da Contraponto e das ideias por detrás do projeto.

Peço desculpas à Stéphane Hessel por plagiar o título de seu manifesto, mas acredito que ele não se importaria, pois deve pensar que sua iniciativa pode ser multiplicada.
     Como alguns sabem, coordeno o Núcleo de Economia Alternativa (NEA) que desenvolve trabalho de pesquisa, ensino e extensão voltado para formas alternativas de práticas econômicas e especula sobre a viabilidade da transformação social.
     Um dos trabalhos que realizamos é o apoio à comercialização dos produtos da agricultura familiar, em particular, dos assentamentos da reforma agrária, na perspectiva da sustentabilidade social, ambiental e da segurança alimentar.
     Na prática, busca-se através de um ponto de comercialização da economia solidária (Contraponto), a venda dos produtos agroecológicos e o abastecimento do sistema dos restaurantes universitários, com produtos desta natureza, por agricultores dos assentamentos.
     Evidentemente, como é papel da Universidade nesta prática extensionista, está se buscando a geração de conhecimento que possa servir a formulação de políticas públicas, bem como, a discussão de elementos centrais da economia como a teoria do consumidor.
     Como parte da estratégia de atendimento dessa demanda socialmente orientada, programamos, junto com colegas da engenharia de produção a realização de uma feira agroecológica ao lado da Contraponto (espaço ocioso) a ser feita por mulheres do assentamento de Viamão, filhos de Sepé. Esta feira seria semanal.
     Como de praxe, fizemos uma solicitação à Superintendência de infra-estrutura, garantindo a não utilização do estacionamento e a limpeza pós realização da feira.
     Para surpresa nossa, a demanda foi negada e depois de inúmeras tentativas de contatar os responsáveis, estes, concederam a graça de nos receber.
     Surpresa novamente! Deparamo-nos com um doublé de funcionário do capital e chefete latino-americano, na robusta pessoa do Professor Tamagna. Funcionário do capital nos propósitos e chefete no método autoritário.
     O referido professor ao ser interrogado sobre o direito que tinham os Bancos de espalhar seus quiosques pelo pátio da Universidade, disse que estes tinham direito porque pagavam. E quando perguntado sobre a existência de regras escritas a este respeito, alegou que neste assunto, quem mandava era ele.
     Se alguém tem dúvida que para alguns personagens da administração central da universidade,  esta deve funcionar, exclusivamente, para o andar de cima da sociedade, a situação acima relatada fala por si só.
     Aliás, recordando das posições do Professor Tamagna no Conselho Universitário, estas, eram sempre alinhadas com o bloco da UFRGS/S.A.
     Tivemos, recentemente em nossa Universidade, um seminário da corrente universitária “Universidade Popular”, que discutiu ampla e profundamente as dificuldades da Universidade ser plural quanto as suas finalidades, assim muito mais dificuldade teria de ser uma instituição voltada para os interesses da maioria da população.
     Portanto, o fato antes relatado, mostra o quanto estão seguros os setores que propugnam uma Universidade voltada aos interesses do capital, com métodos que privilegiam os critérios de mercado (quem paga pode) e exclui, despudoradamente, “esta gente diferenciada” que ousa querer fazer da Universidade um espaço que também é seu, que estuda suas questões, que os acolhe para o diálogo de saberes e que os assume como membros do corpo discente.
     Se permitirmos que atitudes truculentas como esta tenham livre curso, outras bandeiras democráticas e inclusivas pelas quais lutamos ficarão cada vez mais distantes.Portanto indignai-vos e ajam em conseqüência.
                                                                       Carlos Schmidt
                                                                 Coordenador no NEA
                                            Professor da Faculdade de Ciências Econômicas

Porto Alegre vai receber a quarta edição da BioNat Expo. O evento reúne a 1ª Feira de Produtos Orgânicos, Naturais e Plantas Medicinais do Rio Grande do Sul, a Mostra de Turismo Rural e  Agroecológico e o Espaço Vida Sustentável, na Usina do Gasômetro de 30 de  setembro a 02 de outubro. Produtores, compradores e consumidores participam da programação que contempla oficinas de educação ambiental e alimentar, com a BioNat Gourmet, mostras culturais, painéis, filmes e vídeos.

A BioNat Expo 2011 terá uma área de exposição estimada em 2 mil m2, com a expectativa de receber 8 mil visitantes nos três dias, das 09h às 20h. O evento é aberto e gratuito para todos.

PROGRAMAÇÃO BIONAT EXPO 2011

Durante os três dias da BioNat Expo, o público presente terá a oportunidade de participar de uma programação diversa.

FEIRA - Produtos Orgânicos, Fitoterápicos, Plantas Bioativas

MOSTRA - Turismo Agroecológico e Rural

ESPAÇO Vida Sustentável 

BIONAT GOURMET- Espaço dedicado exclusivamente à gastronomia saudável. Estarão conosco chefs preocupados com a qualidade dos alimentos que consumimos, sua procedência, seu preparo, seu sabor e sua apresentação. A Bionat Gourmet é um espaço para conhecer e aprender diferentes formas de relação com os alimentos. Os chefs vão ministrar oficinas, degustações e encontros gastronômicos especiais para quem quer aprender a cozinhar com consciência e aproveitamento completo do alimento, ressaltando sabores e aromas. Cardápio e degustação.

OFICINAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL - Abordam temas como, energias alternativas, permacultura, culinária diferente, consumo consciente, comércio justo e solidário, reciclagem, uso de plantas medicinais, bioconstrução, cisternas, compostagem, horta caseira, como preservar os recursos naturais, entre tantas boas práticas.

BIONAT CULTURAL - Artes visuais, filmes, música, artesanato.Espaço dedicado aos artistas que trabalham o tema da sustentabilidade ambiental. Busca o diálogo entre o público e as mais diversas manifestações culturais como forma de promover o consumo e a produção e incentivar a população a mudar os hábitos do cotidiano em prol de uma qualidade de vida melhor. Através da cultura, queremos difundir a prática da preservação ambiental e internalizar mudanças de comportamento para que a preservação da natureza seja um valor individual e coletivo. Esse é o propósito da BioNat Cultural.

Para mais informações clique aqui.

No dia da Mobilização Mundial Contra as Monoculturas, 21 de setembro, o NEA convida a todos para conversar, matear e assistir ao novo vídeo produzido pela Julia Aguiar do Coletivo Catarse de Comunicação, ASSENTAMENTO: RELATOS DA CAMPANHA GAÚCHA, 37min.

O vídeo trata da produção nos assentamentos da Campanha, e que tem o objetivo de observar as diferentes possibililidades produtivas (desde o leite, a fruticultura e a horta, até as monoculturas e o seu pacote, como a soja e o arroz). O filme é um registro dessas diferentes linhas produtivas dentre os pequenos produtores e procura lançar elementos para a discussão acerca das relações entre agricultura familiar, técnicas, trabalho e o abastecimento das cidades da fronteira.

Pautas para o dia 21:

- Contra os monocultivos de arvores exóticas
- Contra as modificações do código florestal
- Denunciando o agronegócio e o título do Brasil de maior consumidor de agrotóxicos
- Contra os mecanismos de créditos de carbono e as falsas soluções do ambientalismo de mercado, serviços ambientais, bolsa verde, REDD, REDD+ e REDD++
- Rio +20 e a mercantilização da natureza a economia verde dos responsáveis pelas mudanças climáticas, o discurso de governança e erradicação da pobreza.
- Aprovação do feijão transgênico “Verde e amarelo”
- Denuciando a captura corporativa da nação assim como os organismos internacionais da ONU, que no Brasil se materializa na contribuição privada de campanha eleitoral das empresas cinzas.
- A favor da preservação dos morros de Porto alegre e sua zona rural e a proposta do cinturão verde de Porto Alegre
- Apoio à agroecologia e à agricultura ecológica. Reforma Agrária integral.

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