COMER OU NÃO COMER HÍBRIDOS & TRANSGÊNICOS E A ALTERAÇÃO DO CÓDIGO FLORESTAL

Saudades… A Cooperativa Ecológica Coolméia não permitia o cultivo e comercialização de híbridos. A Feira que a sucedeu deseja discutir esta restrição, enquanto no Congresso Nacional se discute mudar o Código Florestal. Interessante, é muito interessante!

Em genética se aprende que os marinheiros amotinados do navio britânico HMS Bounty, em 1789, refugiaram-se na ilha de Pitcairn no Pacífico Sul, e que, seus genes estão lá entre os nativos, embora suas características não sejam notadas; já, no Brasil, quilombolas de Palmares foram dispersos na região, e hoje, tribos tupi-guaranis como os Pankararus, Xocós-cariris estão “africanizadas”; estudos mais recentes afirmam que as últimas comunidades loiras se extinguirão em mais algumas centenas de anos, pelas combinações étnicas de populações; No Japão, o hábito de não se pescar um raro caranguejo por possuir o desenho de um samurai na carapaça fez com que sua presença aumentasse de tal forma que todos, hoje possuem aquele desenho. Entretanto, permanecem desconhecidos os matemáticos Max Mason e Warren Weaver da Universidade de Chicago (do grupo Rockefeller), que estudaram Biologia Molecular em Goettingen em 1930 ou Aaron Novick (físico) e Leo Zsilard (físico) que inauguraram seu laboratório em 1947 na mesma universidade criada por aquele grupo financeiro. Agora, os genes extrapolaram os arsenais militares, e, disputam poder no mercado e a agricultura muda de nome: agronegócios.

Um gene, vetor temporal, é a cifra integral de conversão de energia em matéria aos descendentes, em uma constante uniforme, que aumenta a cada geração conforme sua proeminência na evolução, desde que não existam introduções exóticas e/ou perturbações ambientais.

A vida neste planeta começou a mais de 3.800 milhões de anos, onde todos os seres vivos evoluíram só podendo comer o Carbono transformado pelo Sol. Comemos sementes, por ser a maior quantidade de energia solar contida na menor quantidade de matéria.

Produzir sementes é a ciência e arte do agricultor em sua terra. Mantê-las é construir cifras para alcançar a harmonia na terra, que é única no mundo, pois não há duas propriedades idênticas no planeta pela complexidade na integração e harmonia dos fatores ambientais e genéticos. Não temos a cifra total.

Há dez mil anos as sementes foram domesticadas para transferir energia aos animais, rompendo, suavemente uma harmonia, mas conduzindo à outra em nova estrutura dissipativa (I. Prigogine). Já, na Sociedade Industrial, a criação de “novas variedades e cultivares” alteraram aquela harmonia por interesses outros.

Primeiro, se propalou que não havia vida no solo, para se destruir sementes do agricultor. Segundo, se perdeu a percepção sobre a decomposição da folha que caía da árvore por fermentação através de reações bio-fisico-químicas e seus impactos energéticos sobre a (micro)fauna e (micro)flora do solo. E sua preparação antes da queda: mudança de cor, composição, permeabilidade para a cinética da fermentação e reações em harmonia com ciclagem de energia e matéria na co-evolução daquele ambiente. Uma ínfima porção da matéria orgânica desta folha é transformada em compostos de alta estabilidade evolutiva e se transforma em húmus, com identidade no clima e genes na biota.

As “combinações utilitárias aleatórias de genes” para formação de novos cultivares tiveram um grande impulso econômico com os cruzamentos híbridos dirigidos para uso em todas as latitudes e longitudes, incrementando o uso de insumos químicos como negócio lucrativo para superar características ambientais e natureza, sem uma avaliação de seus impactos do ponto de vista bromatológico.

Os genes contidos nas sementes, nos seres vivos do húmus do solo e população humana e animal devem estar em harmonia. Há quem afirme que, “os fatores do meio ambiente são nossos genes externos”, pois são condições fundamentais para a formação do sistema imunológico de todos os seres vivos e em especial dos tipos sanguíneos animais. Cada gene tem sua função nesta evolução, mas não são únicos.

O axioma de nossos avós “Não se deve tomar água da chuva”, não encontra importância pedagógica no ensino do “ciclo da água” e pela mesma razão não se aprende sobre “os riscos da água de rio para a irrigação agrícola”. Água é indispensável para o metabolismo de todos os seres vivos, que nada mais são que “minerais animados”. Logo, a água é um vetor de minerais e não é universal.

Tomar água da chuva que não contêm minerais não sacia a sede e na agricultura irrigar com água de rios saliniza os solos.

A água da chuva (ou neve) se mineraliza ao contacto com as rochas. Logo, não existem duas águas iguais no planeta, pois a diversidade das rochas e variáveis ambientais determinam sua especificidade e qualidade para a nutrição e saúde. Minerais animam o corpo, e a água sua alma permitindo a cifra do gene.

A água (potável) de nossos dias tem tratamentos químicos, físicos e biológicos que alteram sua composição e proporção mineral desencadeando uma série de transtornos, tão invisíveis como os axiomas acima. Por isso pagamos seis dólares um litro de água mineral das Ilhas Fiji ou 30 libras o quilograma de pedra moída Schindele’s para condimentar alimentos (quando ambos não têm genes, pois, repetimos: gene é, apenas, um registro da evolução.

Hoje, a nutrição funcional acumula conhecimentos comprovados cientificamente sobre reações imunológicas de xenobiontes e criações biológico-industriais que desencadeiam processos de inflamação no metabolismo e autopoiesi, seja por inibição do Sistema Fosfolipase A2; formação de ácido araquidônico, com as respectivas Ciclooxigenases COX 1, COX 2 e Eicosanóides (Tromboxanos e Leucotrienos; Prostaciclina) e outros avaliados na alteração dos Nf-k: ou mais profundamente no mRNA do fator IL-1

Tudo isto não seria tão trágico, se, simultaneamente, as mesmas empresas produzem alimentos “orgânicos” naturais e nutracêuticos para uma camada privilegiada, e alienada, capaz de pagar seu preço.

Economias centrais manipulam e induzem ONGs e governos para a alienação consumista.

Quando o Congresso Nacional destrói a consciência preservante do “Código Florestal”, que importam os danos dos agrotóxicos, ou que as sementes híbridas levaram à erosão genética, estreitaram infinitamente a biodiversidade e função do gene.

Transgênicos é a expressão absoluta do controle da vida (e evolução), através do preço no mercado em uma Eugenia distorcida pela crença na ideologia totalitária do capital, onde seus condenados purgam a miséria que tem três sustentáculos gestores: A Fome com sua brutalidade; Ignorância com sua arrogância; e, a violência com suas conseqüências.

Perseverança… A pretensão à liberdade impõe educar para a austeridade e alteridade.

Inverno Austral de 2010, JUQUIRA CANDIRU SATYAGRAHA