Gostaria de começar minha participação, nesse encontro, fazendo uma saudação à equipe do NEA pelo desempenho de todos no Congresso (sei que o mesmo não será tema dessa nossa reunião) mas não posso olvidar o conteúdo pedagógico que permeou nossa relação nesses últimos dias.

Primeira constatação: Descobrimos do que somos feitos. Observamos o ritmo de trabalho de cada um. Sua posição estratégica e, durante os dias do evento, não haver diferença hierárquica entre os membros da equipe (a não ser a inevitável identificação com a causa) e os procedimentos necessários para seu êxito. Já adianto, que reconheço o amadurecimento de envolvimento e compreensão do funcionamento do mecanismo do NEA. Que, é bom deixar bem claro, seria impossível sem a experiência do Congresso nessa hora. O que torna vital, para o perene desenvolvimento e integração da equipe que toda a crítica feita (e serão, uma vez que isso faz parte integrante do processo de aprendizagem) sejam realizadas com as devidas justificativas, mas que tenham o caráter solidário, de adotar uma possibilidade de desenvolvimento, de reconhecimento com o grupo e de sua própria visão com o mundo.

O NEA, para quem ainda não percebeu, é um local de aprendizagem ímpar, para a vida que teremos dentro (e principalmente) fora da universidade.

Não que outros Departamentos não se relacionem com a comunidade, mas, quando o educador Bernard Charlot, profere uma palestra no Brasil, no ano de 2002 cujo título é: (Relação com a escola e o saber nos bairros populares), estava integrando as mesmas dificuldades de interesse com o aprendizado formal nas periferias das cidades de Porto Alegre e Paris. Falo de Porto Alegre, porque, como ministrante da Oficina de Letramento na Escola Municipal de Ensino Fundamental, Afonso Guerreiro Lima do Projeto do Ministério da Educação denominado Mais Educação, identifico histórias e depoimentos semelhantes ao da pesquisa dele. Mas, e aí há uma discordância com uma conclusão um tanto pessimista do autor, mas de um aspecto fundamental do seu pensamento que é a troca de saberes. E, convenhamos que topar com o Tião na sala 39, discutir acerbamente sobre o design na escadaria da Faculdade de Economia com o Gilmar, reconhecer à capacidade metódica da Júlia, o caráter técnico e detalhista da Angélica, a criatividade do Pedro por ter se integrado ao grupo, da solidariedade da Juliane, e da aquisição do Michael, na reta final e o seu conhecimento em informática que foi salvador numa ocasião crucial. Ao Schimitão, que de uma certa forma sonhou com a possibilidade de tornar exeqüível, esse processo do NEA no âmbito acadêmico, com a responsabilidade de: “ordenar nossa desordem” do Martin e salientar que por ser um membro de outra cultura, possui algumas características distintas da nossa brasileira (aqui falo por mim) de às vezes ser mais extrovertido “Jo reconoço la seriedad Uruguaya”! De nos reconhecermos no Mestre Chico dos Tambores de Angola, no pessoal do Geração Poa, na Cooperbom, Victoryes, a Contraponto, que é um outro caso e, para mim, signo de uma grande conquista. É uma bandeira encravada e, significativamente, ao lado da Faculdade de Educação. E todos os nossos empreendimentos, de seduzi-los com a nossa proposta. Assim como o professor deve seduzir o aluno para o conhecimento (como se refere Charlot, citando Bordieu criar o habitus de estudar).

Nossa relação com os empreendimentos é uma troca de saberes, ela é dinâmica, contem um viés técnico (a incubação do empreendimento, as discussões político-filosóficas sobre as questões inerentes ao apropriar-se das concepções e/ou ações alusivas à Economia Solidária), mas, tem um caráter de estreitamento de laços, que devem ser considerados.

Falhas, como as que aconteceram com o Geração Poa, em relação ao Congresso, são admissíveis, (tanto é que aceitaram minhas desculpas na reunião de terça, onde estamos em estágio avançado em relação a discussão do estatuto da Associação Construção cujo lema é: “Gerando ideias e atitudes” e que está querendo ser identificada em relação ao mercado como atuante na área da serigrafia e do papel reciclado (e esses dados podem ser objeto de uma pesquisa na área sociológica e de medicina) em relação aos números de melhora em relação a déficit de atenção e restabelecimento da memória (devido aos efeitos colaterais em alguns dos remédios que necessitam adotar).

E, quando falo de troca de saberes a argumento, tomando como base a aparente decepção de Charlot, perante os dados negativos, a recepção das pessoas foi: A Carmem Vera, como coordenadora da instituição (é quem faz a ponte principal com o sistema da prefeitura) sentou-se ao meu lado, eu como representante do NEA. Fez a sua queixa em relação a nossa falha e concluiu dizendo algo semelhante ao seguinte: Mas isso é de quem realiza. Mas é importante se manter atento ao parceiro no empreendimento a firmeza de vocês também é a nossa. E, depois, ainda fui agraciado com a apresentação de um power point sobre a agenda 2011, onde o NEA aparece com destaque e há uma citação à Taís Leite, que foi bolsista do NEA nas artes visuais, antes de mim e eu que fui lembrado por pegar um trabalho andando e, sem alterá-lo muito com a minha forma de fazer as coisas, respeitei a necessidade das pessoas e, por uma questão didática mantive o método, claro que com influências inevitáveis das minhas características pessoais. E a agenda saiu e foi um sucesso.

Tentar diagnosticar as necessidades das pessoas, no empreendimento e, ser fiel aos acordos, às pessoas necessitam atenção. Demonstrar interesse e seguir uma rotina de contatos, ajuda no desenvolvimento do trabalho. Pois com o tempo, se adquire a confiança, o que para mim é primordial no estabelecimento de qualquer diálogo que priorize como sua intensão ética fundante, a questão da solidariedade.

Segunda constatação (e, para mim a mais importante é que: Devido a uma situação (que me envolvia) e ao empenho dos dois e a vontade principalmente de equacionar o problema é que: Juliane e Martin, já posso considerá-los, no rol dos amigos.

 

Zeh Poeta

Bolsista de Artes Visuais

do NEA- ITCP – UFRGS