Foto: Arquivo NEA

Integrantes do NEA participaram, dia 5, da celebração da colheita do arroz quilombola, na comunidade de São Miguel dos Pretos, em Restinga Sêca, RS. O grupo de professores, técnicos administrativos e alunos da Universidade contou com o apoio do ecologista Nelson Diehl, com representantes da Cooperativa Alternativa de São Miguel (Coopasa) e com a hospitalidade do casal de orizicultores, Adélio e Zilá.

O Programa Arroz Quilombola, desenvolvido pela ONG Guayí e apoiado pelo NEA, visa resgatar a semente do arroz Oryza glaberrima em comunidades quilombolas do Rio Grande do Sul, promovendo a etno-agricultura. Além de oportunizar conhecimentos de práticas e técnicas ecológicas, vem trabalhando o fortalecimento das raízes negras, e fomentando novas alternativas econômicas em comunidades quilombolas.

O Oryza glaberrima chegou ao Brasil no século XVII, pelos negros africanos, vítimas da escravidão. Apesar de proibido pela Coroa, o plantio seguiu em alguns quilombos, como forma de resistência. O simbolismo histórico-cultural, assim como a cor – avermelhada – e as elevadas propriedades nutritivas constituem diferenciais do grão.

Durante o encontro, foram avaliados os resultados atingidos e delineados os próximos passos. O futuro e as perspectivas da Coopasa também foram tratados. A próxima etapa será viabilizar a comercialização do arroz quilombola através desta cooperativa.

A boa colheita e a aceitação do público consumidor superam expectativas. Ainda há desafios, como o beneficiamento do grão em São Miguel, que viabilizará aos quilombolas o direito de comer o próprio arroz. As metas são de que parte da produção seja consumida no local, que a comunidade possa “viver e comer essa história”.

O grão de arroz e o hábito de consumi-lo com feijão foram introduzidos no país pelos negros africanos. O reconhecimento histórico e cultural desta contribuição, que hoje compõe a identidade do brasileiro, o arroz com feijão, está entre os objetivos do Programa.