O Núcleo de Economia Alternativa está selecionando acadêmico de Nutrição para uma vaga voluntária, com possibilidade de bolsa para o próximo ano. O aluno trabalhará nos projetos de pesquisa e extensão do Núcleo, com o apoio doscente, da equipe e do grupo da Nutrição, composto por uma Nutricionista e duas acadêmicas.

O trabalho é direcionado a atividades nas áreas de Alimentação Coletiva, Segurança Alimentar e Nutricional, Gestão Coletiva e Incubação de Cooperativas Populares. Multidisciplinar, relaciona-se com a Economia, Agronomia e Desenvolvimento Rural, Biologia, Design e Comunicação Social.

O discente será cadastrado no projeto como extensionista, o que possibilita a apresentação de trabalhos em seminários/congressos/salão e a obtenção de créditos complementares.

Pré-requisitos
– Interesse na área (não é necessário experiência anterior);
– Vontade de aprender, responsabilidade  e compromisso;
– Disponibilidade mínima  de 2 turnos (8h) para trabalho presencial e 1 turno (4h) à distância, totalizando 12h semanais. Caso houver maior disponibilidade de tempo, o estudante poderá atuar até 20h semanais.

Características valorizadas: Afinidade com ações sociais, capacidade de trabalho em equipe, criatividade, organização e autonomia.

Atividades
O estudante irá exercer atividades no Núcleo de Economia Alternativa, especialmente junto ao Contraponto e à  Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares. As atividades, inicialmente, consistirão em coleta de dados sobre produtos de alimentação comercializados no Contraponto, junto aos produtores (origem, história, produção, propriedades nutricionais, etc). E, após, apoio à equipe de Nutrição no desenvolvimento de atividades diversas, incluindo:
– Controle de qualidade de alimentos;
– Fichas Técnicas e cálculo de valor nutricional;
– Sugestão de produtos diferenciados, conforme estações do ano, datas especiais e dietas restritas;
– Produção de materiais de apoio técnico e educativo;
– Desenvolvimento e implementação de Boas Práticas de Manipulação, sob enfoque de sustentabilidade;
– Incubação/assessoria a Empreendimentos de Economia Solidária;
– Participação em reuniões de gestão do NEA/ITCP e do Contraponto.

Inscrições
Interessados devem encaminhar currículo para neaitcp.ufrgs@gmail.com até o dia  08 de outubro , colocando a sua motivação para a vaga. Após análise, será agendada entrevista com os candidatos pré-selecionados.

Nos dias 13 e 14 de setembro, foi implementada mais uma etapa do Projeto Adubação Verde, desenvolvido pelo Núcleo de Economia Alternativa (NEA), junto ao assentamento Filhos de Sepé, em Viamão.

Técnica Cromatografia do Solo

Esta fase compreendeu a realização de oficinas, ministradas pelo Engenheiro Agrônomo Sebastião Pinheiro, sobre as técnicas agroecológicas Cromatografia do Solo, Peletização de Sementes e Produção de Biofertilizantes. Na ocasião, estiveram envolvidos representantes das onze famílias cadastradas no projeto.

Os agricultores receberam sementes de verão, incluindo o feijão guandu e a crotalária – que enriquecem o solo e auxiliarão na “quebra do vento” -, o feijão miúdo e o girassol, bons fixadores de carbono. Também foram entregues sementes de Tremoço, espécie de inverno. Para a adequada conservação, os assentados realizarão a técnica da Peletização.

O projeto segue com o acompanhamento do Núcleo durante o período de plantio. Além do Engenheiro Agrônomo, participaram desta etapa o Economista Carlos Schmidt, a Nutricionista Gladis Kalil e a Bióloga Marília Cerciná.

Técnica da Peletização de Sementes

NEA e Assentamento Filhos de Sepé

O NEA vem acompanhando o trabalho agrícola do assentamento Filhos de Sepé, buscando aprimoramentos técnicos. Os projetos desenvolvidos visam ampliar as perspectivas econômicas das famílias, buscando minimizar o êxodo e contribuir para a autoestima da comunidade, fomentando práticas ecológicas nas dimensões ambiental, social e cultural.

Feira Mulheres da Terra

De 15 de maio a 19 de dezembro, está acontecendo na UFRGS a Feira Mulheres da Terra. Pelo segundo ano consecutivo, a Universidade recebe integrantes do assentamento Filhos de Sepé para a comercialização de alimentos orgânicos certificados, produtos coloniais e artesanatos.

A feira acontece das 15h30 às 18h30, terças no Campus Central (entre o Contraponto e a Faculdade de Educação) e quartas no Campus do Vale.

De setembro a dezembro, ocorre na UFRGS o I Ciclo de debates-oficinas: A questão agrária no Brasil. O evento objetiva discutir a situação dos acontecimentos que envolvem o tema, com enfoque nas disputas pela terra, na reforma agrária e no desenvolvimento rural.

Os encontros serão mensais, com inscrições realizadas a cada nova atividade. O primeiro debate-oficina ocorre no dia 4 de setembro, das 18 às 21 horas, no auditório da Faculdade de Economia (Av. João Pessoa, 52 – Campus Centro). O tema da discussão é A luta pela terra no Brasil, que será apresentado por Paulo Zarth, especialista em educação, história agrária e de povos camponeses.

Nesta atividade, o professor traz à tona a invisibilidade das lutas sociais no campo e conflitos, além de abordar temas clássicos das lutas camponesas com foco nos conflitos que fazem parte da história, mas que não alcançaram repercussão na historiografia e atingiram a maioria dos lavradores ao longo do tempo. Os casos do sul do Brasil e comparações com outras regiões. Concepções de agricultura, de tecnologia e de políticas públicas de desenvolvimento também serão trabalhadas no encontro.

Ao longo das oficinas, serão debatidos os seguintes temas: luta pela terra, legislação fundiária, estatuto da terra, sócio-biodiversidade, estrutura fundiária, organizações sociais no campo, desenvolvimento rural, economia solidária, agroecologia.

O evento é uma realização do Grupo de Apoio à Reforma Agrária (Garra), do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural, dos Viveiros Comunitários e Uvaia, do Núcleo de Economia Alternativa (NEA) e conta com o apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Inscrições gratuitas e informações pelo e-mail grupodeapoioareformaagraria@gmail.com. Serão fornecidos certificados de participação.

O grupo GerAção-POA, apoiado pelo NEA/ITCP, completa 15 anos de trabalho. No período de 07 a 19 de agosto, uma exposição na Usina do Gasômetro, repleta de atividades, marcará a comemoração e integrará a Semana dos 20 anos da Reforma Psiquiátrica no RS.

Foto: Arquivo Papeloteca Otavio Roth

O Geração POA promove ações em saúde, trabalho, educação e inclusão. A partir da terapia com geração de renda, integra pessoas excluídas do mercado formal, criando novas possibilidades. Os produtos gerados seguem princípios da Economia Solidária, com comprometimento ambiental e social. São confeccionados artesanatos com papel reciclado, cartonagem, serigrafia, bijuterias e acessórios. O projeto integra as políticas de Saúde Mental e Saúde do Trabalhador da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

Programação das atividades que ocorrerão durante o período da exposição, na Usina do Gasômetro:

08/08/2012 – Quarta-feira

– Oficina de Dança com Maria Albers

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

Horário: 10 horas

– Oficina: Redução de Danos e a Luta Antimanicomial com Belchior Amaral e Binô Zwetsch

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

Horário: 17 horas

09/08/2012 – Quinta-feira

– Espaço “Uma História do Presente”

Venha contar a história dos 20 anos da Reforma Psiquiátrica do RS

Filmagem de depoimentos/ Mural de memórias

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

Horário: das 9 às 12 horas.

– Oficina de escrita com Juliane Farina e Leonardo Garavelo

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

Horário: 10 horas

– Mostra de vídeos

Horário: 13:30 horas

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

– Produção coletiva da Faixa Comemorativa dos 20 Anos

Horário: 15:30 horas

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

11/08/2012 – Sábado

Oficina de Expressão e Arte com equipe do GerAção POA- Pintura do Palco

Horário: 10 horas

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

14/08/2012 – Terça-feira

Oficina de Fotos com Adalberto Porto Alegre e Natália Chaves Bandeira

Horário: 10 horas

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

– Oficina de Poesia com o Grupo Oficineiros e Poetas

Horário: 14:00 horas

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

15/08/2012 – Quarta-feira

– Oficina de Bijuteria com o Grupo Gerabiju

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

Horário: 9hs30min

– Oficina de Papel Reciclado com Josmeri Pergher Puhl e GerAção POA

Horário: 14:30 horas

Local: Usina do Gasômetro – Usina do Papel

16/08/2012 – Quinta-feira

– Oficina Tapete Voador com o Grupo de Bordadeiras do São Pedro

Horário: 9 horas

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

– Oficina Esticando o Esqueleto com Cleni Terezinha de Paula Alves e Felipe Corseuil Duran

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

Horário: 14 horas

17/08/2012 – Sexta-feira

– Oficina de Dança com Maria Albers

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

Horário: 10 horas

– Oficina de Expressão e Arte com equipe do GerAção POA

Horário: 14 horas

Local: Usina do Gasômetro – Mezanino

Convite do Evento

Na América Latina e Caribe, as agricultoras familiares produzem 45% dos alimentos que consumimos. Inegável, portanto, a importância do trabalho delas para nosso cotidiano. Nesta entrevista, Vanessa Schottz (da FASE) e Elisabeth Cardoso (do CTA/ZM) lembram que esse trabalho é silencioso, invisível e, também por estas razões, desvalorizado por grande parte da sociedade.

Foto: Arquivo Fase

As entrevistadas, que são do Grupo de Trabalho de Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia, falaram também de políticas públicas para mulheres do campo e avaliaram a Cúpula do Povos. Durante o evento, a participação das mulheres chamou a atenção desde a marcha que abriu a série de manifestações que tomaram as ruas do Rio de Janeiro, em junho, até as diversas atividades autogestionadas realizadas por elas.

Foi a partir desses espaços que a discussão sobre o papel das mulheres na sociedade hoje – e naquela que os grupos querem construir – foi tomando corpo até a afirmação do feminismo “como instrumento da construção da igualdade” na Declaração Final da Cúpula. O documento incluiu também a “autonomia das mulheres sobre seus corpos e sexualidade, e o direito a uma vida livre de violência” como premissas a serem defendidas pelos povos.

Saiba mais sobre a luta das mulheres camponesas na entrevista realizada originalmente para o programa Planeta Lilás, organizado por militantes feministas na Rádio Cúpula dos Povos:

Vanessa, qual papel das mulheres na agricultura camponesa?

Esta pergunta é importante porque nos dá a oportunidade de dizer que as mulheres não ajudam na agricultura, as mulheres trabalham na agricultura. Elas estão na produção de alimentos. Elas estão no resgate e na conservação das sementes. Elas estão nos processos de resistência nos territórios, contra o agronegócio. Elas estão no cuidado com a alimentação. As mulheres assumem uma papel importante – e protagonista – neste momento em que estamos discutindo sustentabilidade, mas também estamos discutindo soberania alimentar. As mulheres têm um papel fundamental tanto na bandeira de luta da soberania alimentar quanto nas práticas agroecológicas e nas práticas de consumo sustentável. Elas estão em vários espaços, fazendo as suas lutas no dia-a-dia, e também se organizando e lutando para garantir a visibilidade o seu trabalho.

Beth, você pode dar um exemplo das mulheres lá da Zona da Mata, sobre o papel que elas cumprem, para entendermos melhor essa afirmação da Vanessa?

Na Zona da Mata, em Minas Gerais, temos um bom exemplo porque lá é forte a crença de que o que sustenta a região é a produção de café. As mulheres estão presentes – e são fundamentais – na produção do café. E isso é sempre bom lembrar. Mas elas têm descoberto recentemente ter um papel muito mais importante como produtoras de alimentos. Elas coordenam todo o trabalho de produção dos quintais: das plantas, das hortas e da produção de animais.

No nosso trabalho com agroecologia na região criamos um calendário para elas anotassem produção e consumo. Fizemos isso porque geralmente não se valoriza muito a produção para o autoconsumo. E elas se assustaram depois de cerca de três meses quando perceberam que o equivalente de renda gerado pelo autoconsumo é superior à renda gerada pelo trabalho com o café.

Isto é emblemático em relação à história da produção das mulheres. O trabalho delas acaba invisível porque o autoconsumo não está no PIB e não é contabilizado em nenhuma economia – nem para os municípios, nem para a família. Perceber que o trabalho delas gerava mais renda que o café foi importante para elevar a autoestima e para que elas se percebessem como fundametais no trabalho de produção. Se não fossem as mulheres fazendo esse trabalho de produção para o autoconsumo, a agricultura familiar no Brasil não se sustentaria. A renda da agricultura familiar hoje na comercialização de produtos, mesmo acessando os mercados institucionais, só é suficiente por causa da produção familiar para o autoconsumo. Os agricultores familiares compram muito pouca coisa fora das suas propriedades. Na Zona da Mata de Minas temos valorizado bastante este fato não só no que se refere à produção de alimentos, mas também com a produção de medicinas naturais, muito importante para a manutenção da saúde das famílias.

Uma das pautas principais desta Cúpula dos Povos é a luta contra a “mercantilização da vida”. E aí acredito que falamos não só da natureza, das florestas, dos serviços ambientais, mas também dos modos de vida. Valorizar a produção para o autoconsumo é um jeito de fugir do mercado, Vanessa?

É isso. E se a gente parar para pensar, não existe nada mais radical na luta por soberania alimentar do que a produção para o autoconsumo. Porque é a via da alimentação sem passar pelo mercado. E é justamente isso que o mercado tenta desconstruir de várias formas. Uma é a ocupação dos territórios com monocultura – porque sem diversidade as famílias ficam dependentes da compra de produtos nas grandes redes de supermercado. Outra maneira é a publicidade que estimula o consumo dos produtos industrializados. Então essa prática do autoconsumo, que está muito ligada ao trabalho das mulheres, é fundamental no movimento de resistência contra o agronegócio, contra o uso do território para a produção de monocultivo para a exportação. É uma prática que precisamos valorizar e dar visibilidade.

E é importante dizer também que as mulheres não estão apenas trabalhando para o autoconsumo. Entre as mulheres que compõe o GT de Mulheres da ANA vemos que um grande número comercializa sua produção para feiras e também para o mercado institucional de alimentos via PAA [Programa de Aquisição de Alimentos] e PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar], apesar de enfrentarem muitas dificuldades. A questão é que as políticas públicas, da forma como estão estruturadas, não consideram o trabalho e as necessidades das mulheres.

E vocês podem dar exemplos que explicam por que essas políticas são insuficientes para atender às necessidades das agricultoras?

Vanessa – São várias questões. Por exemplo: para que qualquer agricultor ou agricultora familiar acesse as políticas públicas para Agricultura Familiar no Brasil é necessário acessar o “Documento de Acesso e de Aptidão ao Pronaf”, que chamamos de DAP. A DAP tem uma série de problemas, e passa pela lógica de que é um documento “familiar” no qual cabe sempre ao homem o protagonismo. Então se na família o homem é professor ou agente comunitário de saúde e a mulher é agricultora ela não consegue ter sua profissão reconhecida. Ou seja, muitas mulheres estão produzindo, não conseguem acessar esse documento e, portanto, não conseguem ser reconhecidas como sujeito por essas políticas.

Outras tantas vezes, os homens apresentam os documentos e recebem o dinheiro pela esposa. Achamos que isso é muito ruim, pois além de impedir a visibilidade do trabalho delas, impede o acesso à renda, um elemento que consideramos importante para o processo de construção de autonomia. Acreditamos que autonomia econômica e autonomia política são vias que precisam andar juntas para permitir uma relação de igualdade entre homens e mulheres.

Vocês estão falando a partir do GT de Mulheres da ANA. Beth, você pode explicar porque existe e como funciona este Grupo de Trabalho?

A ANA é a Articulação Nacional de Agroecologia, uma rede formada por redes regionais e movimentos sociais de todo o Brasil que é organizada internamente por Grupos de Trabalho. O Grupo de Trabalho das Mulheres é um espaço de auto-organização a partir do qual refletimos sobre questões de gênero, por exemplo, a partir do nosso olhar sobre as políticas públicas. Também fazemos um trabalho de sistematização de experiências de mulheres na agroecologia que ajuda nesta reflexão. A partir do GT de Mulheres refletimos também sobre a própria ANA.

Para conhecer melhor a articulação vale a pena ver a página na internet: http://www.agroecologia.org.br. Ali é possível encontrar uma publicação do GT de Mulheres com as experiências sistematizadas na região nordeste – também estamos sistematizando experiências do sul e da Amazônia, mas ainda não estão publicadas. É um trabalho muito rico porque a partir das experiências das mulheres aprendemos muito. Inclusive, acho que isso é uma reflexão para a ANA como um todo.

Uma coisa que a gente se esforça também é para que em todos os espaços da ANA haja participação das mulheres. Acreditamos que a articulação é um espaço democrático e por isso ficamos até tristes se em um evento misto não haja, pelo menos, 50% de mulheres.

E o que acharam da Cúpula dos Povos? Vai fazer alguma diferença no futuro?

Vanessa – Eu acho que a Cúpula dos Povos cumpriu o seu papel de dar visibilidade, primeiro, às críticas que fazemos às falsas soluções do capital com o nome de “economia verde” com a justificativa de superar uma crise que “eles” próprios causaram. Ao mesmo tempo, mostramos que existem alternativas viáveis sendo construídas pela sociedade, pelas mulheres, pelos índios, pelos camponeses. Então, eu acho que a Cúpula deixou essa mensagem. E deixa também uma mensagem importante de que sustentabilidade, diversidade, soberania alimentar, são temas e bandeiras de luta que precisamos cuidar para que não sejam apropriadas pelo capital.

A gente pôde ver aqui perto, no Píer Mauá, uma exposição montada pelo agronegócio como evento oficial da Rio+20 onde dizem fazer agricultura sustentável, onde dizem contribuir para a preservação do meio ambiente, se apropriando de bandeiras de lutas da sociedade com uma cara-de-pau impressionante. E para nós está posto o desafio de dialogar com a o resto da sociedade, desconstruir todo o discurso falso montado pelo agronegócio de que este seria o único modelo possível para produzir alimentos. O modelo deles é este com veneno, com transgênicos, com sementes estéreis, com alto consumo de alimentos industrializados, e com grande impacto sobre o meio ambiente, ao contrário do que tentam nos fazer engolir. Aqui [na Cúpula dos Povos] estamos trazendo outra mensagem: o modelo de produção da agroecologia – que defendemos – não pode conviver com esse modelo insustentável [do agronegócio] que contribui mais e mais para destruir o patrimônio da humanidade – patrimônio cultural, toda a biodiversidade.

Então, eu acho que a Cúpula está cumprindo muito bem esse papel, mas fica o desafio daqui para a frente de continuarmos desconstruindo esse discurso que visa confundir a população e – ao mesmo tempo – continuar apontando falsas soluções para gerar mais renda e mais lucro em cima da crise.

E você, Beth? Como avalia esta Cúpula?

Além do que disse a Vanessa, acrescento que para mim a Cúpula dos Povos foi um grande espaço de convergência dos movimentos sociais, não só do Brasil, mas da América Latina e de outras partes do mundo. E foi muito importante para dar visibilidade para o movimento feminista. Achei importante demais estes dias em que a gente ficou convivendo aqui com os diversos movimentos. Eu acho que crescemos com isso, aprendendo a incorporar a pauta dos outros nas nossas lutas também. Eu acho que as manifestações foram maravilhosas. Todos os dias a gente via passeatas nas ruas, muita mobilização e ação direta. Acho que isso fez muito bem, não só para os movimentos, como também para a sociedade em geral – para as pessoas verem que nem tudo que está sendo feito em relação ao meio ambiente é igual. Existem diferenças, idéias diferentes, e o importante é a gente estar aqui colocando isso: existe algo diferente do que se discute na conferência oficial da ONU.

Fonte: http://www.fase.org.br

Entre os dias 19 e 21 de junho, o Engenheiro Agrônomo e Florestal Sebastião Pinheiro, integrante do NEA, ministrou o curso Cromatografia e Autocertificação da Qualidade dos Solos, destinado a estudantes e trabalhadores rurais ligados ao MST e à Pastoral da Terra, de diferentes regiões do estado de Alagoas.

Eng. Agr. e Florestal Sebastião Pinheiro

A Cromatografia possibilita a realização da análise dos componentes do solo pelo agricultor. Com baixo custo, o proprietário pode verificar as áreas mais e menos férteis da terra, percebendo as necessidades de fertilização. A técnica é rápida, de domínio acessível e baixo custo. Pode resultar na otimização da colheita e em alimentos sadios, ricos em nutrientes, pois, segundo o Engenheiro, “quando o solo é são, a planta que nasce é sã, o alimento é são, e a pessoa é saudável”.

Cromatografia – Reportagem do Bom Dia Alagoas

De 15 de maio a 19 de dezembro, está acontecendo na UFRGS a Feira Mulheres da Terra. Pelo segundo ano consecutivo, a Universidade recebe o grupo do assentamento Filhos de Sepé, de Viamão, para a comercialização de alimentos orgânicos certificados, produtos coloniais e artesanatos. Este ano, com a novidade de que, além de acontecer no Campus Central, a feira também está presente no Campus do Vale.

Feira no Campus Central

O grupo conta com o apoio do Núcleo de Economia Alternativa (NEA), que vem acompanhando e buscando aprimoramentos ao trabalho, como a “adubação verde”, que está em fase de experimentação. O projeto visa ampliar as perspectivas econômicas das mulheres do assentamento, buscando minimizar o êxodo e contribuir para a autoestima da comunidade, além de fomentar práticas ecológicas nas dimensões ambiental, social e cultural.

As mulheres têm suas produções independentes e se reúnem para expor, união que já completa doze anos de existência. Na cidade de Viamão, participam de feiras em quartas e sábados.

Feira no Campus do Vale

A Feira Mulheres da Terra é uma realização da UFRGS, do NEA, do Departamento de Design e Expressão Gráfica (DEG), do Laboratório de Otimização de Produtos e Processos (LOPP), e conta com o apoio do Contraponto, entreposto de comercialização da Economia Solidária. Acontece das 15h30 às 18h30, terças no Campus Central e quartas no Campus do Vale.